Por mais anos que passem, crescem em nós como uma segunda pele, são bússola moral existencial, ajudam a calcular a nossa rota e dão-nos razões para continuarmos a lutar.
Por mais tempo que passe, mesmo depois de 52 anos a viver em Liberdade, assim nos mantemos: nunca desleixados, nunca confortáveis e sempre atentos à fragilidade deste património que nos foi deixado pelos que sentiram a ditadura na pele.
Esta é uma cicatriz das que ficam, das que contam a história de um País, dos sítios que a viram crescer, das Pessoas que a viveram quando ainda era ferida aberta. E essa cicatriz é uma lembrança constante do quanto as coisas podem mudar e da, sempre presente, possibilidade de hemorragia interna da qual só nos apercebemos depois de abrir caminho, a rasgar o corpo inteiro e contaminar tudo à volta, quando já não há nada a fazer para a estancar.
Apesar da constante guarda levantada e desta diligência quase inerente a ser-se português, vivemos na alegria de quem sabe que “é” em Liberdade, de quem sabe que a Democracia é o único caminho de futuro possível. De quem sabe de cor as palavras que suturam a ferida: “O Povo é quem mais Ordena” e que está acordado para a realidade de que são princípios como a Representatividade, Diversidade, Inclusão e Equidade que permitem que o Processo Democrático se concretize e continue a defender esta nossa única forma de viver: em Liberdade.
O grande foco do nosso trabalho na Casa do Impacto é o futuro, o dos que já cá estavam antes de nós, dos que nos são contemporâneos e dos que vêm a seguir. Sentimos a responsabilidade de proteger e de, diariamente, defender e aplicar estes princípios.
Acreditamos que juntos vamos mais longe e que cada um conta, cada um acrescenta. Sem barreiras, regras e lápis azuis que limitem pensamentos, atos e motivações. É na possibilidade de nos reunirmos, de pensarmos em conjunto e desenharmos o futuro com lápis de todas as cores que protegemos o legado que nos deixaram. É na possibilidade de estarmos todos juntos na mesma sala, que construímos em vez de destruir, que unimos em vez de dividir, que agregamos, em vez de nos isolarmos dentro daquilo que podemos apenas pensar, sem nunca exteriorizar.
A Liberdade começa em cada um de nós. Nós que a defendemos e protegemos, que a transmitimos de boca em boca, de geração em geração. Que vivemos por ela porque tantos outros não o puderam fazer. Este é o seu legado, um que levamos connosco até morrer, fazendo tudo para os que vêm a seguir sejam feitos do mesmo: este legado que nos define e norteia.

