Há mais de um ano escrevemos sobre a ousadia de começar. Hoje, escreveremos sobre a coragem de continuar. E também sobre a importância de continuar acompanhadas.

Antes de criarmos pontes para outras pessoas, também tivemos de procurar as nossas. Quando começámos a construir a Equivalence, tentávamos compreender o nosso próprio lugar: que espaços estavam realmente abertos a ouvir-nos e quem valorizava a diferença como parte do valor que trazíamos?

A Casa do Impacto foi uma das primeiras portas que se abriu. Do lado das organizações, a Açúcar Hub foi também a nossa primeira parceria oficial. Essas primeiras pessoas e organizações que acreditam em nós antes de tudo estar totalmente claro têm um peso enorme: ajudam-nos a ganhar confiança, a compreender os códigos do território e a transformar uma ideia em caminho.

Nos últimos 12 meses, muita coisa mudou. Vencemos o Lisboa Innovation for All na categoria de integração de Migrantes, com o reconhecimento da Câmara Municipal de Lisboa. Para nós, isso não foi apenas validação institucional: foi representação Migrante, latina e feminina, a confirmação de que há espaço para outras histórias, outros sotaques e outras formas de construir Impacto.

Com esta consciência, juntámo-nos ao Latin Business Connections, um encontro impulsionado pela Açúcar Hub e pela Associação de Damas Equatorianas. O objetivo era aproximar Empreendimentos Migrantes latino-americanos do Ecossistema local, criando conexão, visibilidade e partilha. Quando surgiu a possibilidade de aproximar esta iniciativa da Casa do Impacto, não tivemos dúvidas. Fazia sentido ativar essa ponte.

No final de abril, reunimo-nos num formato íntimo e humano. Ficou-nos a imagem de mulheres latinas (e um homem), num novo país, a partilharem o que estão a construir e o que precisam para dar o próximo passo.

Ali estavam projetos que dão forma concreta a esta diversidade: Angélica, com a Just Digi Mark, a trabalhar o marketing digital como ferramenta de presença e crescimento; Martha, com Martha Tomé, valorizando a gastronomia mexicana em Portugal; Blanca, com Nena Selected Coffee, trazendo café de especialidade e herança colombiana; Florencia, com Agência La Ola, ajudando projetos a encontrarem a sua voz; Alexa, com Docaria Madeira, mostrando a persistência de quem transforma um sonho em doce caminho; e Raymond, com a Açúcar FM, rádio que cria voz e ligação cultural para a comunidade latina. E estivemos também nós, Anabell e Daniela, a partilhar a visão da Equivalence: reconhecer percursos internacionais, construir conexões e tornar o desconhecido mais familiar.

Este encontro nasceu de uma necessidade que vemos repetidamente: pessoas com talento, experiência e Projetos, mas ainda sem redes suficientes para navegar o Ecossistema local. Por isso, era importante fazer esta ligação com a Casa do Impacto, que mais uma vez abriu as suas portas para apresentar programas e oportunidades, e mostrar como estes Empreendimentos se podem aproximar e ligar ao Ecossistema.

E porque é que isto importa? Porque não é apenas uma perceção individual. É um padrão: barreiras invisíveis e lacunas de capital social. Os dados da nossa Integration Scale (uma ferramenta que aplicamos junto de pessoas Migrantes para compreender as suas barreiras de integração) confirmam esta realidade: entre quem completou a avaliação inicial, 75% referiram ter redes limitadas ou inexistentes e 86% indicaram baixo conhecimento sobre referências locais.

Criar condições para que outras pessoas entrem não é apenas abrir uma sala ou fazer um convite. É visibilizar, informar, aproximar e compreender o que cada pessoa está a construir. Este encontro mostrou como o trabalho em rede entre associações da sociedade civil, uma casa de inovação social e uma Startup pode ajudar a equilibrar o acesso, aproximando percursos concretos dos espaços onde podem avançar.

Também não queremos romantizar estes encontros. Um evento não resolve as barreiras do Empreendedorismo Migrante. Mas pode ser um ponto de partida concreto: cria confiança, gera uma primeira conversa e aproxima quem antes via o Ecossistema como distante.

Há 12 meses, procurávamos entrar. Hoje, começamos também a criar condições para que outras pessoas entrem connosco. Não basta abrir portas: é preciso construir pontes que permitam entrar, mas também permanecer.

O talento já existe. Conectá-lo pode mudar tudo.

 

Por: Daniela SanabriaCo-Fundadora e Diretora de Impacto da Equivalence

Daniela Sanabria é Co-Fundadora e Diretora de Impacto da Equivalence, uma Startup de Impacto que reconhece percursos internacionais de pessoas migrantes e cria pontes com o Ecossistema local, transformando percursos em oportunidades.

Daniela Sanabria e a sua equipa