Terminado o período de inscrições na terça-feira, 23 de Março, damos início ao Hackathon 100% Colaborativo, uma maratona de inovação que promete fazer de Abril um mês de capacitação e criatividade para todos os participantes.

O Departamento de Empreendedorismo e Economia Social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde se insere a Casa do Impacto, desafiou todas as mentes criativas a participar num movimento de desenvolvimento de soluções inovadoras para o futuro da Economia Social – o Hackathon 100% Colaborativo | Desenhar o Futuro da Economia Social.

Esta 2º edição do Hackathon 100% Colaborativo, desta feita num formato totalmente digital, contará com 64 participantes, provenientes de 38 entidades diferentes, entre colaboradores da SCML, demais Organizações da Economia Social, estudantes, recém-licenciados e membros das comunidades alumni.

No horizonte, 15.000 euros em prémios!

Todas as 16 equipas são multidisciplinares, com membros de áreas de formação diversificadas, que vão desde o Direito, à Gestão, Economia, Serviço Social, Filosofia, Ciência Politica, Arquitetura, Medicina, Psicologia, Engenharia, Recursos Humanos ou Educação.

O objetivo será, em grupo, desenvolverem soluções inovadoras para o futuro do setor social, tendo em consideração 4 desafios pré-definidos:

– O digital na Economia Social

– O futuro do trabalho no setor da Economia Social

– A sustentabilidade da Economia Social

– A avaliação de impacto na Economia Social

Os participantes terão acesso a uma intensiva programação de capacitação que contará com workshops, masterclasses, e muito mais, dinamizados pela equipa do Departamento de Empreendedorismo e Economia Social e pelos parceiros da iniciativas: Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, CASES, IPAV, Instituto da Segurança Social, IEFP, WACT, Portugal Digital, Portugal Inovação Social, Grace, e Banco Montepio.

Durante todo o mês de Março, como warm-up para a maratona de inovação, promovemos 4 sessões de debate, dedicadas a cada um dos desafios. Conversas com convidados especialistas da Economia Social, como representantes de órgãos governamentais, de instituições e associações sociais e empreendedores de impacto.

A adesão foi fantástica! Agradecemos a todos os que se juntaram a nós!

Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que se juntará a nós na sessão de entrega de prémios, a 26 de Abril, deixou uma mensagem de inspiração para todas as equipas!

Relembra as 4 sessões abaixo:

A 02 de Março, em O Digital na Economia Social, contamos com Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, João Farinha, Adjunto do Secretário de Estado para a Transição Digital, e Rodrigo Baggio, Presidente da Direção do Comité para a Democratização da Informática Portugal e fundador da Recode, num debate acerca da importância de apostar na digitalização do setor social.

Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social referiu que “Há falta de maturidade digital na Economia Social – uma economia que emprega 6% da população ativa. Há um grande terreno para inovar e estamos no momento certo para o contágio”.

Na conversa, conduzida por João Montenegro, cofundador e Head of Product and Design da Ubbu, foram apresentados alguns dos desafios à digitalização, como a falta de qualificação e a dificuldade de acessos, falando-se também das oportunidades nesta área, tendo sido a pandemia apontada como um momento catalisador da transição digital.

Para ultrapassar os desafios foi destacada a importância da colaboração intersectorial, com João Farinha, Adjunto do Secretário de Estado para a Transição Digital, a apoiar-se em números para ilustrar a evolução: “Tínhamos 22% de infoexcluídos em 2019 e em 2020 a percentagem desceu para os 19%. Em 2020 60% das empresas já tinham presença na internet, há um ano tínhamos apenas 40% com presença online”.

Rodrigo Baggio reforçou a “formação, capacitação profissional” como decisiva “para que toda a população tenha capacidades digitais”.

Revê a sessão aqui.

A 09 de Março, em O Futuro do Trabalho no setor da Economia Social, juntamos Cátia Cohen, Coordenadora Geral da CASES, Duarte Fonseca, Diretor Executivo da APAC Portugal, e Filipe Alfaiate, Professor Adjunto de Impacto e Sustentabilidade da Nova SBE, num debate acerca da atração e retenção de talento.

Duarte Fonseca, empreendedor da Comunidade da Casa do Impacto, olha para a nova geração como “uma geração impact-driven que se atrai por projetos quanto maior for o desafio que este pretende resolver”, e elencou as que considera serem as questões-chave, “Como vamos conseguir atrair talento qualificado? e “Como vamos conseguir crescer e resolver os desafios sociais? Primeiramente penso que novos modelos de trabalho – flexíveis e descentralizados e de colaboração – onde a accountability tem um papel importante (…) e as organizações sociais têm que parar de ter medo do lucro. É preciso lucro para crescer e resolver o problema. Só crescendo vamos dar possibilidades de crescimento às pessoas que cá trabalham, que vamos conseguir contratar pessoas mais qualificadas e que vamos conseguir atrair mais talento”.

Ao painel moderado por Carlos Azevedo, CEO do IES – Social Business School, o Professor Filipe Alfaiate destacou o grande distanciamento entre o setor social e o setor público e também o privado e academia, considerando “essencial que comuniquem uns com os outros através de programas, parcerias e projetos conjuntos para uma visão mais ampla. Também é preciso educar a liderança através de capacitação e fomentar o trabalho em rede e colaborativo. Existe uma necessidade de reciclar o próprio setor”.

A longo prazo, a Coordenadora Geral da CASES, referiu como competências necessárias para o futuro de trabalho no setor social a “capacidade de adaptação, o saber gerir a incerteza, competências digitais e soft skills como a empatia, a facilidade de comunicação e relacionamento, o saber cooperar, a resiliência, a tolerância ao risco, a orientação para a ação e competências de gestão de acordo com as especificidades do setor”.

Revê a sessão aqui.

Em A sustentabilidade da Economia Social, sessão realizada a 16 de Março, tivemos connosco Teresa Fernandes, Presidente do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS), Nathalie Ballan, Founder e Senior Partner da Sair da Casca, e Filipe Almeida, Presidente do Portugal Inovação Social. A importância estratégica do setor da Economia Social para a paz e justiça social e a sua sustentabilidade futura foi o tema do debate.

Um ano depois do início da pandemia, Teresa Fernandes, Presidente do IGFSS, refere haver aprendizagens positivas e outras que não foram tão positivas e que precisarão de ser melhoradas. É com estas melhorias em mente que lançamos o Hackathon 100% Colaborativo! Teresa Fernandes referiu ainda que são necessárias novas linhas de financiamento para o setor social.

Filipe Almeida, Presidente do Portugal Inovação Social, enumerou desafios como “a urgência de atrair talento jovem, rejuvenescer o setor e mobilizar investimento para maior profissionalização da gestão, melhoria da qualidade, inovação, avaliar o impacto, e comunicar com eficácia. A combinação destas mudanças tornará o setor da economia social mais atrativo para jovens e investimento”.

Como soluções possíveis para as várias barreiras à sustentabilidade do setor, Nathalie Ballan, apontou a diversificação, duplicação, fertilização, cooperação, promoção de parcerias e fusões.

Revê a sessão aqui.

A 22 de Março, realizamos a quarta e última sessão de debate, A avaliação de Impacto na Economia Social, para a qual convidamos Catarina Marcelino, Vice-Presidente do Instituto de Segurança Social, Henrique Joaquim, Gestor Executivo da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social), e Margarida Anselmo, Head of Government Performance da Maze.

A Vice-Presidente do Instituto de Segurança Social referiu que “Um problema com que nos deparamos na área social do sector público são os sistemas de informação, sem bons sistemas não é possível haver uma recolha de dados capaz e na área social isto tem impacto. Para ter uma boa recolha de informação tem de haver uma mudança estrutural. Temos também de perceber o que estamos a medir – se não tiver impacto nas pessoas, não serve para nada. Para termos instituições com condições para fazer este processo, elas próprias têm de estar capacitadas para o fazer”.

Formas de potenciar a ação das organizações sociais para alcançar efeito positivo e medir o impacto da mudança social no futuro foi o grande tema a debate. A capacitação teve um papel central na discussão, numa ótica de formar as entidades da economia social para avaliarem o impacto social que os projetos que dinamizam provocam. Como forma de incentivar estas práticas, vêm surgindo incentivos como novas formas de financiamento social com base no impacto criado, ou processos de candidatura a fundos que exigem essa medição.

Margarida Anselmo, Head of Government Performance da Maze, explicou a metodologia que a organização que representa utiliza, o Impact Management Project (IMP) e as várias dimensões em que se desdobra.

Henrique Joaquim, Gestor Executivo da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (MTSSS), evidenciou a importância de envolver toda a cadeia da organização, desde a liderança à equipa, e também optar por parceiros que tenham as competências necessárias para fazer a avaliação de impacto. Referiu ainda que “Para além do tema orçamental, a credibilidade da economia social depende de um salto e crescimento a este respeito para a resolução dos desafios. Apenas com dados conseguimos guiar-nos para o sucesso das ações”.

Assim, a recolha organizada de dados é essencial para a medição de impacto, e a título de exemplo, Margarida Anselmo partilhou que “o que interessa num programa de empregabilidade não são as horas de formação, mas sim quantas pessoas depois da formação entraram no emprego, se têm uma vida mais confortável, quanto tempo tiveram nesse trabalho, entre outros”.

Para Catarina Marcelino, Vice-Presidente do Instituto de Segurança Social, a medição no setor público ainda tem muito espaço para melhorias, realçando que “Temos que medir o impacto desde a fase de planeamento de políticas públicas visando a mudança social para um retorno eficaz”.

Revê a sessão aqui.

Estamos agora prontos para iniciar o Hackathon 100% Colaborativo! O período de candidaturas está encerrado mas podes continuar a acompanhar esta iniciativa nas nossas redes sociais. Junta-te a nós a 26 de Abril para a sessão final de entrega de prémios, mais informação brevemente.

Para esclarecimentos sobre o Hackathon 100% Colaborativo | Desenhar o Futuro da Economia Social, envia email para info.hackathon@scml.pt.

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